Toda história começa em algum lugar pitoresco e agradável. A não ser, é claro, que seja uma história de terror... Mesmo elas às vezes se iniciam num lugar agradável ou num ambiente familiar despreocupado. Já está história se inicia num depósito escuro e empoeirado. Muito embora a verdadeira origem dos fatos tenha berço a séculos atrás. Para ser mais exato, na costa da Noruega. Mas, agora os fatos partem de um ponto não muito longe. Elias Mosés abner havia acabado de falecer e seu velório foi rápido e sem muitas cerimonias. Neste período a região pleiteava chuvas e elas realmente vieram. No dia do seu funeral elas se anunciavam como o fim do mundo com nuvens negras e ventos fortes, levando a um temporal macabro. Ruy deixou sua família na sala do casarão e resolveu examinar a casa do velho tio. Subiu ao sótão para averiguar o que poderia ter de bom naquela tumba familiar que apesar de arrumada, ainda parecia um lugar triste. A tempestade acabará de passar, levando a sua fúria para assustar outras cidades. As águas, que antes caiam raivosas, agora plácidas e tranquilas, se afastavam como um viajante desaparecendo ao longe na linha do horizonte. Ainda triste, Rui recordava o sorriso do tio nas poucas vezes que o viu satisfeito com alguma coisa. Também lembra os gritos da sua mãe lhe dando bronca quando corria pela casa do irmão mais velho dela... As caminhadas com seu tio e as histórias que ele contava e de um antigo espelho que apesar de sombrio era a sua alegria. Sendo um negociante de coisas antigas, muita coisa ele guardava para seu próprio deleite. Enquanto subia os degraus da velha escada, muitas outras coisas passeavam por sua mente, trazendo imagens do passado e coisas boas e outras ruins lhe importunavam. Os passeios de barco que ele tanto detestava e ideias sombrias desmoronavam com uma pequena lembrança do passado. algo que ele não tina certeza de ter sido uma realidade ou apenas um sonho: A imagem de um homem dentro de um espelho, como o reflexo sombrio de um mundo oculto. diante das rajadas de pensamentos ele excita quando sua mão se eleva na maçaneta da porta que leva ao sótão. De repente um vento forte faz uma das janelas bater se abrindo como se um espírito lhe desse um alerta. Um corvo pousa sobre umbral da janela e fixa seu olhar no rapaz tremulo. Alheio ao que possa estar acontecendo Isadora pergunta assustada:
- O que foi isso Rui? Que barulho foi este?
- Nada! Não foi nada! Apenas uma janela bateu forte com a força do Vento!
Respondeu assustado como quem acreditasse em avisos e fantasma que voltam para assombrar. O corvo não emite nenhum som e sua cabeça se move de um lado para outro esperando o próximo movimento do homem. Então rui leva sua mão novamente para a maçaneta da porta. O corvo solta grito estridente ao que o rapaz salta para trás de susto.
- Criatura maldita! Quer me matar de medo?
O corvo salta no ar e desaparece na mata. Mesmo com tudo isso, o rapaz segue em frente e abre a porta. Mas existem poucas coisa ali naquele espaço de utilidades mortas: um baú velho, uma vassoura, uma escrivaninha, facas típicas, papeis e canetas numa mesinha desgastada pelo tempo e... Uma poltrona colocada de frente a um tipo de mobília coberta por um pano que um dia pode ter sido branco. Todas as outras coisas já haviam sido removidas. Mas está havia ficado por algum motivo. Sobre a escrivaninha um diário aberto dizia em letras de alguém com ótima caligrafia: O único sobrevivente de um mundo além do nosso. Seu olhar reflete as almas dos homens e das mulheres. Seu único propósito ainda se mantém. Seu foco está na direção da terra onde ainda a vida sombria para ceifar. Nem tudo o que parece tão próxima, próximo está. Mas a alma que deseja o céu e mesmo assim pratica o mal ao céu nunca chegará.
Rui não entende o que significam essas palavras e olha ao redor para ver se existe algo mais. Talvez seu tio estivesse estudando algo oculto ou escrevendo um livro. Ele pensa nos eventos de alguns minutos atrás. Não foi nada natural. Nem a morte do seu tio foi algo comum.
Escrito Por: Jean S. Viana